Caos na vizinhança

Posted on 05/10/2007 por

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por Washington Fagner, Viviane Damasceno, Liz Silveira, Rachel Koerich e Vanessa Moraes

Quando o assunto é poluição sonora, um dos grandes campeões de queixas são os postos de combustíveis. As suas lojas de conveniência estão se tornando verdadeiros pontos de encontro dos jovens na madrugada. Dois exemplos de postos de combustíveis da capital baiana muito barulhentos são O Posto dos Namorados e o Posto Dois.

O Posto dos Namorados, localizado na Pituba, virou um centro de reunião de jovens depois de voltar das festas.  Na sexta-feira, dia 10 de agosto, por exemplo, houve a gravação do CD da Banda Voa Dois na casa de shows Happy News Lounge Dance. Com o fim do evento, boa parte das pessoas foi para O Posto dos Namorados para continuar a diversão. Mas o que os moradores das proximidades estão se queixando é que está havendo um verdadeiro desrespeito ao cidadão morador.

Com um som acima do limite permitido de 60 dB, o cidadão não pode ter uma noite confortável e tranqüila. Quem mora nas redondezas afirma que uma boa noite de sono é quase impossível devido ao alto volume dos alto-falantes. Segundo o produtor cultural Adriano Rodrigues, morador do condomínio Julio César, a situação nos finais de semana é cada vez pior. “As pessoas não conseguem respeitar o livre arbítrio do próximo. Temos que nos acostumar com tamanha falta de respeito”.

Os proprietários dos sons não acham que estão perturbando e que, da mesma forma que os moradores têm o direito de descansar, eles também têm o direito de curtir. O adolescente Diogo Neves, freqüentador assíduo do Posto dos Namorados, disse: “Não sinto que estou perturbando o sono das pessoas e se realmente estou fazendo isso eles que chamem as autoridades”.

No Posto Dois, localizado na Avenida Paralela, o caso é ainda pior. Logo na entrada existe uma faixa com o seguinte emblema em letras garrafais: “Não é permitido som de automóveis”. Porém a recomendação não é respeitada. Os moradores do bairro do Imbuí têm sempre que estar chamando a SUCOM para que possa resolver tal situação.“Domingo à noite estamos nos preparando para dormir, descansar do final de semana que tivemos com nossos amigos e familiares, e retornar ao trabalho no dia seguinte, mas sempre fica esse barulho de vários carros, com o som ligado que até estremece o vidro do meu quarto. E como sofro de insônia por depressão, tomo medicamento para adormecer e que perde seu efeito”, afirmou Francisca Souza, 57 anos, moradora do Condomínio Securitários no Imbuí.

Sábado, dia 11 de agosto, houve a Chopada de Medicina da FTC. Quando a comemoração terminou, muitos jovens foram para o Posto Dois, gerando uma incidência de som completamente absurda. Muitos nem olharam a faixa informativa presente no local. O frentista Manoel Calvino, 34 anos, diz que nada pode ser feito: “Eles são clientes e nós temos receio de pedir para que desliguem o som. O melhor seria se os agentes da SUCOM estivessem sempre vistoriando e não quando são indagados”.

Bebida O chefe de fiscalização da SUCOM, Alci Rocha, em uma palestra nas Faculdades Jorge Amado, promovida pelos estudantes de fonoaudiologia da entidade, afirmou que a melhor forma de combater tais abusos é com a proibição da venda de bebidas alcoólicas nas lojas de conveniências dos postos de combustível.

Ele ainda frisou que a multa para proprietários de postos de combustível que não denunciam tal prática abusiva varia de R$500 à R$80.000, e o som do carro do infrator é apreendido, tendo o mesmo que pagar uma taxa para resgatá-lo. A SUCOM encontra-se 24h a disposição dos cidadãos de Salvador que desejem denunciar as práticas abusivas. Os telefones de contato são (71) 2201 6600 ou (71) 3389 1010.

Bares
Os bares já não servem apenas de ponto de encontro para uma conversa animada após a aula. A cena observada é semelhante a um desorganizado carnaval de rua fora de época.

Tomando-se como referências as estatísticas da SUCOM, órgão do governo que trabalha no combate a poluição sonora, Salvador é a quarta cidade que mais recebe denúncias. Os três primeiros lugares pertencem, respectivamente, a Belém, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Em Salvador, os bairros líderes em reclamações são Pituba e Brotas sendo que, de acordo com os estudos deste ano, os bares universitários espalhados por toda a cidade representam 25% das fontes poluidoras. Como exemplo disso, há o bar Zélia Gattai, localizado ao lado das Faculdades Jorge Amado e também nas proximidades da Faculdade de Tecnologias e Ciências (FTC).

Apesar da placa “Proibido som de carro”, jovens desafiam a lei e colocam seus carros com sons em um volume maior que o permitido. Ao entrevistar o dono do bar Zélia Gattai, o senhor José de Freitas, comerciante e morador das redondezas há 11 anos, ele demonstrou não acreditar numa solução para acabar com as reclamações dos vizinhos, pois alega que os freqüentadores do seu estabelecimento não atendem às suas repreensões: “Eu peço aos clientes para que respeitem a lei, já coloquei, inclusive, uma placa proibindo o som de carro, mas, se tratando de um bar universitário como o Zélia, é mais difícil conseguir respeito. Parece que os jovens não nos ouvem”.

Rodrigo de Lima Cerqueira, estudante de fisioterapia das Faculdades Jorge Amado, em uma declaração, revela que acha isso tudo uma palhaçada: “Não estamos fazendo mal a ninguém, só queremos nos divertir”. Isto ilustra bem o descaso dos universitários em relação à perturbação causada pela poluição sonora. (outubro de 2007)

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